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neblina

a névoa insistente, torna a manhã carente em mim aproxima o horizonte à retina, e o corpo agassalha a vontade, sob a lã das primeiras horas encobertas as casas, pessoas despertam nas nuvem, com o céu aos seus pés antes que o sol se apodere, das armas de dissipar, para o dia continuar nublado
trago à alma, a agulha que sutura, e domestica a forma em vão mosaico visto-me do corpo beatificado, pelo afago que redime, e me faz liberto quando flerto com colibris, sinto fome pela carniça dos urubus, espelhando-me à glória dos vermes invisíveis, aqueles que abrem os portais da eternidade, até nos consumir trago à pele o olhar que ao outro sonda, trago-me luz, subo na cruz, vem me cantar!!! trago à alma, a agulha que me ametronda

as coisas quando sou

meus passos são o visgo do caminho, meus olhos tardam a vida na janela o pólen quer ser vida, como o espinho, o cego forja o tato em aquarela sou a multidão do eu sozinho, rasgo o vento quando me sou vela sei não ser a chama sem carinho, sou o cosmos livre na viela

o dia nos poros, a sombra na língua

ávida vida grudada à pele, repele a sombra, a noite assombra, e a luz é boa de se entregar há vida quando o silêncio pulsa e o peito estronda o interstício sonda, quando o som que ronda, quer engravidar

hesito

penso-me como ato inconcluso: fome hesitante ante ao banquete, botão negando a si, o esplendor das pétalas, ventre concebendo-se em clausura, esquecendo a hora de parir aurora encantada com as estrelas, refugando no orvalho, a luz da manhã. penso-me como aquele que nega a si o que é urgente, e urge as têmporas, diante de tudo que vai repousar refaço-me íntegro, quando ainda me sou solvente, hiberno cântico,  esquecendo o silêncio, do despertar

arrepio

fustiga-me a palavra em sua ausência no alto da torre, vogais vigiam as  consoantes, desejando-as consortes na nova jornada atravessa-me afetos um dia gerados, apressados a vencer o dia, na grafia que a vontade ordenha como sentido, a a alma.do poeta alimenta a língua roça o céu da boca, buscando-se milagre no firmamento que saliva, e em si renasce verbo e como verbo, um mundo inteiro na voz se fez, na minha tez
água parada, de quem é ventre? senão do zumbido furtando ouvidos ao anoitecer água parada, me faz dormente, indolente, doente, palavra ausente lodo crescendo no escrever água parada, quase amada, que um dia irei beber