hesito

penso-me como ato inconcluso:

fome hesitante ante ao banquete,
botão negando a si,
o esplendor das pétalas,

ventre concebendo-se em clausura,
esquecendo a hora de parir

aurora encantada com as estrelas,
refugando no orvalho,
a luz da manhã.

penso-me como aquele que nega a si
o que é urgente,
e urge as têmporas, diante de tudo
que vai repousar

refaço-me íntegro, quando ainda me sou solvente,
hiberno cântico,  esquecendo o silêncio,
do despertar

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