as coisas quando sou

meus passos são o visgo
do caminho,
meus olhos tardam a vida
na janela

o pólen quer ser vida,
como o espinho,
o cego forja o tato
em aquarela

sou a multidão
do eu sozinho,
rasgo o vento
quando me sou vela

sei não ser a chama
sem carinho,
sou o cosmos livre
na viela


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