cavas

tenho vivido anos,
a procurar
o pão

a debulhar
o trigo,
com a fadiga
da mão

a ser debulhado
nos dias,
acorrentado
no chão

moído como
a farinha,
socado sob
o pilão

ferido no golpe
da enxada,
no solo em
gestação

e ver no ventre
das cavas,
o ventre suado
do grão

sentir ao fim
da jornada,
a morte
do coração

e sob a terra
amarga,
fechar-me
como botão




















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